Acredite, a Indústria 4.0 é muito mais do que um slogan chamativo criado por um marqueteiro, é uma confluência de tendências e tecnologias que promete revolucionar a forma como as coisas são feitas. Mas afinal, como essa tal de Indústria 4.0, ou a 4ª Revolução Industrial impactará a sua vida?

Você se lembra daqueles desenhos futuristas e filmes de ficção científica em que as máquinas tornaram-se inteligentes e começaram a conversar e controlar as outras, tomando decisões por conta própria? Então, isso virou realidade!

Vamos então entender onde isso começou. Na edição de 2011 da Feira Industrial de Hannover o conceito começou a ser revelado ao público em geral, consistindo em um incentivo e patrocínio do governo alemão (claro, sempre os alemães!) em associação com empresas de tecnologia, universidades e centros de pesquisa para uma quebra de paradigma em como as fábricas operam atualmente. O novo modelo de descentralização do controle dos processos produtivos contará com inúmeros dispositivos inteligentes interconectados, gerando trabalhos colaborativos com capacidade, por exemplo, para prever falhas, se adaptar a requisitos e mudanças não planejadas, e até mesmo agendar manutenções. Tudo isso em tempo real! Consegue imaginar os impactos impressionantes nas áreas de produtividade e logística das indústrias?

 

industria 4.0

 

O que é?

Mas, por que 4.0 (e não 3, 1, 2 ou 5)? Senta que lá vem história! No final século XVIII na Inglaterra, tivemos a famosa 1ª Revolução Industrial, marcada pelo uso de carvão para geração de energia e o desenvolvimento da máquina a vapor e locomotiva. Já, à partir de 1870 o emprego de energia elétrica e motor a combustão sedimentaram a 2ª Revolução Industrial, que ficou caracterizada pela consolidação de linhas de montagem. Avançando na história, em meados do século XX iniciou-se a Revolução Técnico-Científica-Informacional ou 3ª Revolução Industrial, com destaque para o desenvolvimento da robótica e eletrônica, aplicando automação nas linhas de produção. Por fim, estamos vivendo a 4ª Revolução Industrial e, para entender um pouco melhor como isso funciona, vamos conhecer os princípios da Indústria 4.0:

Capacidade de operação em tempo real: Com dispositivos inteligentes e interconectados, distribuídos por todas as etapas de produção, será possível obter e tratar dados de forma praticamente instantânea, garantindo assim a tomada de decisões em tempo real.

Virtualização: Utilizando os sensores (leia-se RFID, Bluetooth, entre outros) instalados em toda a fábrica, será possível o monitoramento remoto de todos os processos. Em outras palavras, a fábrica toda estará nas palmas da mão do coordenador dentro de seu smartphone a todo o momento.

Descentralização: Como o monitoramento e a inteligência artificial estão espalhados em todas as etapas, não será mais preciso aguardar o fim da linha de produção para identificar um erro. A tomada de decisões ocorrerá em tempo real, em cada módulo independente, realizadas por sistemas cyber-físicos, aprimorando os processos de produção.

Modularidade: Nada mais é do que brincar de lego com a fábrica, ou seja, flexibilidade para acoplar e desacoplar módulos de produção de acordo com a demanda. Isso garante também a personalização cada vez maior dos produtos, já que aquele antigo conceito de linha de montagem que para ser lucrativo tinha que produzir milhares de unidades iguais, pode ser facilmente trocado com uma alteração dos módulos.

Mas como viabilizar toda essa conectividade, inteligência, operação, e claro, segurança? Para isso, a Indústria 4.0 está apoiada em 3 pilares fundamentais: Internet das Coisas, Big Data e Segurança.

A Internet das Coisas ou Internet of Things (IoT) busca maximizar e facilitar as interações entre pessoas e dispositivos de tecnologia presentes em nosso dia a dia. Consiste na base da Indústria 4.0 e nada mais é do que a presença de sensores e atuadores denominados sistemas cyber-físicos em todos os lugares imagináveis. Essa onda extrapola as fronteiras das indústrias e hoje já invadiu as casas, as cidades, a zona rural e onde mais podemos imaginar. Ou seja, já faz parte de nossas vidas. Em pouco tempo (na verdade já existe, mas em pouco tempo irá se democratizar!) o seu despertador ao tocar, vai disparar um sinal para a banheira começar a esquentar, a cafeteira fazer café e a tostadeira preparar as torradas. E quando você estiver no supermercado e não lembrar o que acabou, sua geladeira poderá enviar uma mensagem ao seu celular dizendo todos os itens que estão armazenados. Bom, mas isso é uma longa história que você pode conhecer melhor aqui.

Já a análise de Big Data (ou seja, imensuráveis quantidades de dados), quando aplicada a Indústria 4.0 resume-se em 6Cs que permitem trabalhar com informações que sejam de fato relevantes, sendo eles: Conexão (os já mencionados sensores), Cyber (a memória das máquinas supracitada), Cloud (tanta informação precisa ser armazenada em algum lugar, não é mesmo?), Comunidade (interconexões, informações compartilhadas), Conteúdo (se os dados a serem tratados não forem úteis, não adianta nada tratá-los), e por fim Customização (manufatura altamente flexível e autoajustável à demanda por produtos customizados), afinal, somos todos únicos e diferentes!

Por fim, como garantir que tantos sensores instalados em cada mínimo processo, gerando incontáveis informações em tempo real armazenadas na nuvem, não serão utilizados de maneira inadequada, ou que uma transmissão inadequada não levará a um caos na produção? Segurança.

 

O profissional 4.0

Neste momento você deve estar pensando: mas se as máquinas tomarão até decisões, isso acabará com os empregos? Segundo um artigo divulgado pela Oxford em 2013, 47% das profissões existentes nos EUA tem uma chance de pelo menos 70% de ser automatizada em até 20 anos. Então está tudo perdido? Não! Mas os profissionais terão que se adaptar, e desenvolver algumas características do Profissional 4.0.

Para começar, será fundamental uma formação multidisciplinar (que pra ser sincero, já vem sendo exigida há algum tempo). Mas na Indústria 4.0, essa formação vai além de saber sobre vários temas, será preciso desenvolver também soft skills que são muito mais relacionadas a inteligência emocional do que de habilidades físicas. Uma delas é a capacidade de adaptação para saber lidar com a inteligência artificial (é isso mesmo, aceitar que a máquina agora é inteligente e você precisa conversar com ela). Assim, chegamos na terceira característica: bom relacionamento. As máquinas poderão ser inteligentes, mas ainda não terão sentimentos. Então saber se relacionar será um grande diferencial.

Por fim, mas não menos importante, e um tanto quanto perigoso, os profissionais precisam ter senso de urgência. Por que perigoso? Com tanto acesso remoto a informações em tempo real, os funcionários podem interferir em um processo ocorrendo na fábrica, mesmo durante sua estadia na praia. Para os rendimentos da indústria as vantagens são incontáveis, porém, será necessário muito discernimento para limitar as urgências e não se tornar escravo do trabalho. Terão mais sucesso os profissionais que souberem equilibrar essa dinâmica.

E o Brasil, também está desenvolvendo a Indústria 4.0? Não, ainda estamos transitando entre a Indústria 2.0 e 3.0… Mas nem tudo está perdido! A boa notícia é que podemos “pular etapas” e isso dependerá muito de startups e empresas atuando nos 3 pilares da Indústria 4.0. O que acha de empreender e começar a atuar neste ramo?

Voltando ao nosso questionamento inicial: Como essa tal de Indústria 4.0, ou a 4ª Revolução Industrial impactará a sua vida?

Sabendo de tudo isso, não é mais tão difícil de imaginar que os impactos vão muito além de produtividade nas fábricas, mas trazendo inúmeros benefícios energéticos, ambientais e urbanos, e alterações nas relações sociais e empregatícias. E isso sim, impacta diretamente a sua vida e seu dia a dia!

 

Pablo Funchal

CSO

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